Foi um saco do pão, padrão Frida Kahlo Garden. Prometo fotografias assim que descobrir onde a minha empregada nova escondeu o cabo usb!
sábado
quinta-feira
As super-mulheres
Anda por aí em todo o lado um tipo de mulheres: as super-mulheres. São aquelas que estão no metro logo pela manhãzinha, a subir e a descer escadas com um filho ao colo, os dois todos encasacados. Nestas super-mulheres não pensou o arquitecto de renome que desenhou a estação e, colocou os elevadores e as escadas rolantes no lado menos lógico do apeadeiro. Na mesma estação encontro outra super-mulher, na qual o arquitecto de renome também não pensou. Ela é uma senhora de uns 60 anos e carrega pelo menos uns 5 sacos de compras de supermercado em cada mão. Antes, no comboio tinha já visto outra super-mulher, ela era universitária e não tinha mais de 20 anitos. Ela aproveitava o embalar do rápido para estudar os quilos de fotocópias de biologia molecular. E depois atendeu o telemóvel e, baixinho, confirmou à sua avó que passava lá, pelas 13 horas, depois das aulas, para a levantar da cama e dar-lhe o almoço.
Super-mulheres são também as minhas amigas Beta e Papi que, apesar do estado deste mundo, aceitam sem hesitar a felicidade que lhes cresce na barriga.
Super-mulher é a minha amiga Cristina, que pelo bem da família, mudou de país e, embora seja a pessoa mais solar que eu conheço, me garante que o clima cerrado, cinzento e frio do Luxemburgo "não é assim tão mau".
Super-mulher é a minha amiga Rita, que mesmo depois da doença lhe ter acabado de roubar uma parte, ela arranja forças para me dar almoço, não sem antes se aventurar a um banho, ajudada pela mãe, que me parece mais devastada do que ela, com o que sucedeu.
A mulher é feita para ser uma cuidadora. É essa a sua condição e essência.
A todas estas super-mulheres e, porque elas merecem, peço um grande aplauso, de pé!
hoje
tive a certeza que existe um mundo paralelo ao nosso, noutra dimensão. Vi acontecer uma coisa não explicável pela lógica, que me arrepiou, mas deixou muito serena.
a verdade das coisas
Todas as que escrevemos blogs bonitos sobre a maternidade queremos deixar a marca de que tudo isto é um mar de rosas e talvez tenhamos que carregar a culpa de não dizer toda a verdade. Nessa culpa encerramos a imagem da super mulher que consegue tratar de tudo, filhos, marido, cão, profissão, casa e carro, refeições e roupa e algumas de nós, armadas em espertinhas criativas, ainda dar uma de super prendadas "que-sabemos-fazer-um-monte-de coisas-giras-e-artísticas". - shame on me - Damos a impressão de que a vida é perfeita, todos os momentos são felizes, onde não há espaço para nada que não condiga com a cor do blog.
Mas a verdade não é essa. Tratar de uma criança exige muito de uma mulher. Todas as mulheres do mundo passam por isso, mas o facto de todas passarem não lhe retira a exigência física, psicológica e emocional que é tratar de uma criança. Os nossos maridos ou companheiros, por mais compreensivos que sejam, e por muito que se esforcem, não sabem, nem vão saber o que é essa exigência física, psicológica e emocional.
Hoje uma amiga minha, que também foi mãe há pouco tempo dizia-me: "se eles soubessem o que isto é e no que isto nos torna, tratavam-nos nas palminhas sempre a perguntar "o que é que precisas?", "o que é que eu posso fazer mais?", e bastaria ouvirem uma vez os nossos pedidos de ajuda, para assumirem a sua quota parte nas tarefas".
Quando me perguntam se o meu marido ajuda... sim, ele ajuda mais do que o meu avô ajudou a minha avó, muito mais do que o meu pai ajudou a minha mãe, ou até muitíssimo mais do que alguns maridos de amigas minhas, agora. Numa média, ele estará, porventura acima dela. Mas essa ajuda chega? NÃO.
Sob a capa dos "maridos que até ajudam", residem os velhos machistas que acham que nós somos super mulheres. São exigentes, criticam a nossa forma de fazer as coisas, não reparam na quantidade de vezes que nós nos levantamos por noite, não fazem caso nenhum a pedidos simples de quotidiana organização da casa, dão por adquirido uma casa arrumada e limpa (na cabeça deles a casa limpa-se sozinha), às vezes até nos fazem sentir más mães, só porque lhes pedimos ajuda em tarefas supostamente "nossas" (porque assim sempre foi), e se o nosso grau de exaustão nos leva às lágrimas, passamos a ser as neuróticas com um problema de depressão pós-parto por resolver. E este problema passa a ter costas largas para tudo.
Hoje, depois de uma interessante e acesa conversa sobre a justa divisão de tarefas, o meu marido perguntava-me como é que eu me podia sentir cansada, se tinha passado 5 meses em casa a cuidar da Catarina...
É que a ele pareceram-lhe umas férias.
Qualquer mulher que já foi mãe saberia que palavras usar para lhe responder, mas é melhor não usar essas palavras, não é?!
terça-feira
voltar
depois de 7 meses em casa, voltar é emocionante, confuso e extremamente cansativo. E na verdade ainda nem "peguei" no trabalho duro. Dei-me conta que já me fazia falta o ritmo acelerado, o despertador, os horários, os assuntos, os dossiers, os mails, as pessoas. Dei-me conta também que saiu muita gente da empresa, umas que me eram muito queridas, outras nem tanto. Dei-me conta que há coisas que nunca mudam e não vão mudar. Dei-me conta que quem me substituiu fez um excelente trabalho em todos os sentidos, não só no labor em si, mas também na sua forma de estar dentro da empresa. Dei-me conta que vou ter de rezar todos os dias para que me deixem ficar com ela. Tive um feeling tão grande que ela - a Maria Vassalo - era a pessoa certa, no primeiro dia em que falámos, e tive a sorte que me deixassem prevalecer a minha escolha. Ela é delicada, cuidadosa, criativa, extremamente educada e diplomata, organizadíssima e muito profissional, sentido crítico apurado e, ainda assim, boa companhia e divertida. Espero que minha empresa saiba reconhecer este talento... ela já é o meu braço direito e o esquerdo também.
domingo
please, let's switch toys

Os brinquedos da Cat, agora aos 6 meses, estão muito mais engenhosos, cheios de cor, truques, barulhinhos e texturas. A Fiona numa tentativa desesperada de também poder brincar com eles... propôs uma troca. Deixou-lhe no parque os seus três brinquedos, altamente roídos e conspurcados, e ainda a sua coleira. Ainda dizem que estes bichos não pensam.
O passo a passo



Começou tímida, tardia, mas aos poucos fui-lhe dando forma, fazendo bruxedos, deixando recados, encantamentos, dedadas e significados escondidos. A árvore que eu quis fazer para a minha filha está pronta. Foram muitas as pessoas que se ofereceram para me ajudar: a minha amiga Rita, o meu cunhado (obrigado a todos)... mas esta é daquelas coisas que uma mãe tem de fazer sozinha. Agora falta começar a esponjar o céu que vai ocupar todas as outras paredes do quarto dela, em azul, prata e purpurinas.
sábado
como é que conseguimos?
às vezes dou por mim a perguntar-me como é que conseguimos ser... mulheres... depois de ter acordado de três em três horas para dar o biberão, mudar uma fralda a meio da noite, acordarmos com a aurora, já sem forças e vestirmo-nos, e vestirmos a filha, comermos e dar de comer à filha, passear a cadela, levar a criança à escola, em segurança, apanhar os transportes para o trabalho, com o almoço pronto no tupperware, chegar a horas, ser excelentes no que escolhemos como profissão, preparar as reuniões, brilhar nas reuniões, cumprir promessas e prazos profissionais, ser boa colega, boa assessora, à hora do almoço tentar ser boa amiga e fazer uns telefonemas e mandar umas mensagens de consolo, é caber dentro de um 36, ter a agenda organizada e os contactos actualizados, saber sempre como resolver um problema, e resolvê-los todos mesmo que isso implique ficar a trabalhar até mais tarde, voltar a casa, nos transportes, com o tupperware vazio, dar banho à filha, a sopa, a papa, limpar o vomitado, fazer o jantar, arrumar a cozinha, meter a louça na máquina, estender a roupa e preparar o tupperware para amanhã, mudar outra a fralda, vestir outro pijama à filha, brincar, contar a história, acalmar a birra de sono, esterelizar os biberãos, levar a cadela à rua, e quando a casa sossega, retocar o verniz, enquanto se dá alguma atenção à cadela, fazer a depilação, tomar um banho e se ainda houver forças fazer amor com o marido, que também trabalhou, em dois sitios, foi buscar a filha, ajudou em tudo isto, passou a ferro, foi pôr o lixo, separou a roupa por cores, aspirou a casa e foi buscar o carro à revisão, passou pelas finanças mesmo antes delas fecharem.
Como é que conseguimos? Ser mulher é isto... e em saltos altos! É cozinhar com amor e arranjar forças onde já não há, e tempo onde não existe e ser criativa no trabalho e a gerir o dinheiro, é sentir uma felicidade imensa quando a nossa filha se ri para nós mostrando o seu primeiro dentinho e uma paixão gigante pelo homem que por nós faz qualquer coisa.
Ser mulher é isto.
Ser mulher é isto.
terça-feira
e...
Segurança social

Hoje passei a maior parte do meu dia na segurança social de cascais... cheguei lá às 09 e tal e tinha 96 pessoas à minha frente. Deu para tirar algumas conclusões sociais... as pretinhas e as brasileiras são as mulheres mais elegantes do sítio, os homens de leste os mais dorminhocos e a mulher portuguesa, na generalidade... está obesa, ali e em qualquer outro lugar.
Guincho clássico



Prometi a mim mesma que, quando a Cat fosse para a creche, iria passar algum tempo de qualidade com a outra bebé. Ela tem sofrido muito, especialmente nas últimas semanas que não tenho conseguido sequer levá-la ao seu passeio matinal.
Fí-lo na semana passada - um passeio no paredão - e ontem - Guincho.
Na semana passada, no paredão ela perdeu-me de vista algumas 50 vezes, ia atrás das outras pessoas, depois parava à minha procura, atirava-se às lambidelas a todos os carrinhos de bebé... e depois "Ah olha lá vem a minha dona!". Também soltou a correr pelo pontão batido pelas ondas, a espantar gaivotas e eu, de coração nas mãos, a chamá-la, em vão, contra o vento.
Ontem, no guincho, correu louca pela areia, descobriu nudistas atrás das rochas e desafiou-nos a atirar-lhe barrotes do tamanho de um tijolo.
Foram dois dias muito felizes para ela.
domingo
Biscoitos de canela e laranja

fí-los pela primeira vez, no outro dia quando o Paulo foi organizar uma festa. Ele ia voltar tarde e, eu sei, com fome.
E é assim:
3 ovos
125 açúcar
3 colheres de sopa de becel
400 gramas de farinha
Canela q.b.
raspa e sumo de uma laranja
Reza a receita uma ordem específica para cada ingrediente, claras em castelo e tal,... mas eu atiro tudo lá para dentro, com a excepção da farinha que só entra no fim e, deito-lhe os dedos e amasso durante uns minutos. Umas bolinhas num tabuleiro untado, forno baixo (150 º) durante 20 minutos e está feito.
O ingrediente secreto, muito amor.
sexta-feira
daqui a 15 dias
Começo a trabalhar daqui a 15 dias e não me sinto nada preparada para voltar a viver em modo fast, a pintar as unhas de vermelho e calçar os saltos de dez centímetros.
segunda-feira
...
Passos calados, o ranger dos móveis, um sussurro no escuro, um suspiro, um segredo ao ouvido, o beijo roubado, a gargalhada na almofada, a tua sombra, a minha sombra, um rubor de orelhas que as incendeia, os lábios acesos, e o coração bater descompensado, a pressa e o compasso de espera. O corpo a corpo, a presença, a pertença.
Morrer de amor no escuro e renascer na manhã seguinte.
Morrer de amor no escuro e renascer na manhã seguinte.
uma semana
de creche e já estamos as duas com uma gastrointerite... cada uma a vomitar para o seu lado!!!!!!!!!!!
domingo
Na Creche
A minha filhota foi para a creche durante toda esta semana e eu fui com ela. Passei lá uns bocadinhos, mais para a minha adaptação do que a dela. Ela está perfeitamente enturmada, adora as educadoras e porta-se lindamente. Tem aulinhas de música e um plano diário de estimulação psico-motora e de actividades lúdicas programadas a pensar no melhor para eles. A moradia foi toda recuperada por um arquitecto, a cor, luz natural e a boa energia fazem parte da decoração. A minha pequenota está feliz e até já lhe noto diferenças no desenvolvimento. Está mais desenvolta, mais autónoma, mais interessada.
A parte negativa...? A fortuna que nos custa todos os meses.
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